Compulsão alimentar e as dietas



Ama comer ou se sentir cheio?
Vontade ou ansiedade?
.
Episódios de descontrole alimentar, nos quais
constatamos uma ingestão pesada e desenfreada de alimentos, são seguidos por
uma “ressaca moral”. Por que comi tanto? Grandes doses de culpa e auto-reprovação tomam conta. Mais importante do que seguir a dieta é entender porque tanto desejo em comer.
Quando nos deparamos com as compulsões percebemos grande dificuldade das pacientes em conseguir pensar e avaliar antes de agir, dificuldade em se responsabilizar.  Difícil lidar com a fome e ausência de uma mãe que alimenta o paciente que um dia foi um bebê. A
relação estabelecida com a comida se dá sobre um modo primitivo de uma fantasia de
fusão com a mãe, como se a comida fosse aquela chupeta que permite suportar a ausência.
A compulsão alimentar então seria para aplacar o vazio, vazio de não ser,
confuso não? Difícil mesmo entender o que é necessidade ou desejo.
Essa repetição desenfreada no comer com voracidade seria uma tentativa de aliviar um sofrimento interno
maior que é a dificuldade para lidar com a solidão e próprios vazios.
Muito fácil pensar sobre uma realização pelo caminho mais curto, uma dieta ou remédio "milagrosos", mas quão destrutivo isso poderia ser? Talvez aumentaria o sofrimento já existente nesse eu. Percebe-se por meio de falas tão corriqueiras  conteúdos depressivos, de muita insegurança, ansiedade, anulação de si mesma, dificuldades de adaptação, baixo limiar a
frustração... muita polidez para uma agressividade contida e voltada para o eu.
Difícil ser tão amável e viver numa eterna doação incondicional.
Ao mesmo tempo em que há uma dificuldade do contato com o eu verdadeiro, talvez camuflado nos quilos a mais. Comer de forma voraz Talvez seja o modo de proteger esse eu tão frágil.

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