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Mostrando postagens de 2018

Entre o luto e o narcisismo

Todos os dias os jornais e mídias sociais nos bombardeiam de notícias trágicas: Incêndio em museu, acidentes de carro com vítimas, atentados terroristas em baladas e transportes públicos, mortes em procedimentos estéticos, entre tantos outros acontecimentos de dor e sofrimento. Eventos como esse são sempre um prato cheio para jornais, revistas e redes sociais, muitos discutem sobre segurança e rumos que a contemporaneidade vem tomando. Questionamentos sobre estética, segurança e milhares de profissionais como o Dr. Bumbum deixam a população eufórica e aparentemente preocupada com o rumo que as coisas vem tomando. Mas será tanta preocupação genuína? Em tempos de fake news vale tudo pelo ibope, inclusive mentir, aumentar e distorcer. As pessoas não têm segurança sobre a veracidade das noticias, questionam se Bolsonaro levou de fato uma facada ou não. Outros mostram compaixão, falam em humanidade, se mostram bonzinhos, que amam ao próximo acima de tudo, escrevem sobre compaixão. Al...

Embrace- história de Sara geurts

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Mais uma da série: exemplo de mulherão! A moça da foto se chama Sara Geurts, 26 anos, sofre da síndrome de Ehlers-Danlos, também conhecida como Síndrome do Homem Elástico. Em decorrência dessa síndrome, a pele pode ficar com aspecto elástico e super sensível, assim como as pessoas mais velhas, mesmo que esteja com apenas vinte e seis anos. Atualmente, a sociedade tenta negar a morte, assim o aspecto de envelhecimento da pele nos aproxima dela, por isso deve ser "mascarado". Sara começou a notar uma diferença em seu corpo, em comparação com as outras pessoas quando tinha apenas sete anos, o que veio a piorar durante a puberdade. O diagnóstico foi demorado, pela raridade da síndrome, enquanto isso a pele cada vez mais sensível, o que a fez sofrer muito com uma baixa autoestima é preconceitos. Tinha vergonha de sair e lhe perguntarem sobre os motivos de ser tão nova e a pele parecer tão mais velha, então se isolava e fugia das pessoas. Apesar da insegurança, quando chegou...

Compulsão alimentar

O comer compulsivo é caracterizado por um excesso alimentar num curto período de tempo, havendo um sentimento de falta de controle em comer e devorando tudo o que vê. Logo se sentem cheios, desconfortáveis e com outras questões de saúde. Pesquisas apontam que pessoas que sofrem frequentemente com essa falta de controle diante da comida têm um histórico de rejeição materna e carência afetiva, depressão e culpa, angústias diante de mudanças das circunstâncias da vida, pais superprotetores, pais alcoólatras,  entre outros. Esse costuma ser aquele paciente que sabe tudo sobre dietas, mas não sustenta. Fazer dietas é viciante, cada vez uma nova promessa que cria uma ilusão de segurança de não ter esses descontroles e impulsos de voracidade. Mas, enquanto se confia nas dietas para se sentir seguro, a liberdade real e o crescimento continuarão a ser uma ilusão, como ocorre com a criança que se agarra à mãe e não pode arriscar a incerteza da separação. Uma dieta é semelhante a um pa...

Alcoolismo dos pais e o sofrimento dos filhos

Filhos de pais alcoolistas são vitimas de muitas dores indeléveis  em suas vidas, seja a insegurança na presença física  e emocional deste familiar, até a tendência a buscar parceiros alcoolistas como tentativa de reparar a dor vivida anteriormente. Freqüentemente, quando são crianças e experenciam problemas com o álcool em seus lares, acabam apresentam problemas acadêmicos e de comportamento quando comparadas a crianças e adolescentes filhos de não-alcoolistas, seria uma forma de manter no não-saber sobre a realidade? Talvez inibam a curiosidade como um modo de não entram em contato, ou o fracasso escolar demonstrado nas notas baixas seja um modo de chamar a atenção dos pais para eles, como um "eu estou mal e aqui".  Há um risco maior no desenvolvimento de psicopatologias e fracasso escolar, assim como o desenvolvimento de inúmeros conflitos, inclusive a possibilidade de repetir o vicio alcoólico.  Pais ausentes, um olhar voltado para essa questão, co...

Melancolia

“O dia de hoje pode ser banal e mortificante, mas é sempre um ponto em que nos situamos para olhar para a frente ou para trás” ( CALVINO, 1993, p. 14 ). “Em tempos de crise, a melancolia se impõe, é expressa, faz sua arqueologia, produz suas representações e seu saber” (KRISTEVA, 1989, p. 15). A melancolia seria perda na vida pulsional, isto é, um eterno luto pela perda da libido. Um luto pelo desejo de recuperar algo que foi perdido. Freud analisa a anorexia nervosa pensando que essas moças se alimentam do vazio, levam o desejo ao zero, assim a anorexia é uma melancolia em que a sexualidade não se desenvolveu. A perda do apetite e da vontade em comer, seria paralela a perda da libido.  O sujeito permanece petrificado em sua dor, falta então apetite para viver, tudo tão enfraquecido, uma identificação com a morte, que ser traduzida como a hemorragia de libido. Existir é uma dor constante, falta vitalização, talvez de uma mãe que anteriormente não deu vida ao seu beb...

Compulsão alimentar e as dietas

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Ama comer ou se sentir cheio? Vontade ou ansiedade? . Episódios de descontrole alimentar, nos quais constatamos uma ingestão pesada e desenfreada de alimentos, são seguidos por uma “ressaca moral”. Por que comi tanto? Grandes doses de culpa e auto-reprovação tomam conta. Mais importante do que seguir a dieta é entender porque tanto desejo em comer. Quando nos deparamos com as compulsões percebemos grande dificuldade das pacientes em conseguir pensar e avaliar antes de agir, dificuldade em se responsabilizar.  Difícil lidar com a fome e ausência de uma mãe que alimenta o paciente que um dia foi um bebê. A relação estabelecida com a comida se dá sobre um modo primitivo de uma fantasia de fusão com a mãe, como se a comida fosse aquela chupeta que permite suportar a ausência. A compulsão alimentar então seria para aplacar o vazio, vazio de não ser, confuso não? Difícil mesmo entender o que é necessidade ou desejo. Essa repetição desenfreada no comer com voracidade seria ...

Por que sinto o que sinto? Sobre a dor de ser o que é

Será angústia? Ansiedade? Pânico? O que eu sinto? O ser humano, desde o nascimento, tem que lidar com a dor, algo sentido no psicossoma, corpo e mente. Dor do desprazer, física, perda, renuncia... Mas como é complicado nomear o subjetivo. A dor faz parte da espécie humana, está ligada à cultura, religião, arte, dentre outras formas de simbolização. Comum alguém assistir a um filme dramático e chorar ou ver uma pintura e se imaginar ali, as pessoas se identificam com o sentimento transmitido, ao mesmo tempo em que quem realiza a arte dá um contorno aos seus sentimentos. A hanseníase é uma doença em que a dor não é sentida, os nervos são lesados, o que acaba sendo bastante perigoso, já que sentir dor nos protege, afinal se dói, a tendência é fugir, gritar, fugir... Não sentir a dor é estar desprotegido, vulnerável e em perigo. Para a medicina, dor é algo subjetivo, uma vez que é difícil visualizar e dor   e mensurar o quanto sente o paciente, no caso da psicanálise o analis...

Retrato do envelhecimento

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O processo de envelhecimento é algo complexo ao ser humano, pois remete a perdas, seja da mobilidade do corpo, aparência, novo lugar social e lembrança constante de que a morte se aproxima e a vida se mostra em declínio. Dia após dia, idosos cada vez mais falam sobre suas dores, morte de conhecidos, se mostram preocupados consigo mesmos ou com o julgamento de suas capacidades pelos outros. A senil idade amedronta, pois concretiza o que antes era algo muito pouco pensado e esperado. Todos buscam evitar a velhice ou o retrato dela. Rugas podem ser preenchidas, plásticas feitas, mas em algum momento o corpo mostra que está menos enérgico do que já foi um dia. Pensar na "terceira idade" é pensar numa vida marginalizada, viver num lugar sem esperanças, negativo, uma angústia sem fim decorrente do não reconhecimento de si. Se olha no espelho e se vê uma imagem impensada, a imagem conhecida de si foi perdida. Filhos tentem a cuidar dos pais assim como a sociedade em geral tende ...
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Comer até morrer? São notórios nos consultórios de psicanálise o maior número de pacientes mulheres que sofrem com transtornos alimentares, e todas com queixas relacionadas à relação materna, a qual tem um caráter de fusão, não havendo individualidade em cada uma. Pacientes com obesidade vivem o corpo como certa prisão, afinal, o peso excessivo lhe gera uma série de limitações em seu dia-a-dia, seria a relação materna também uma relação de prisão? Pensar sobre um corpo obeso é pensar sobre um corpo sem contornos nem limites, que a própria paciente não consegue estabelecer. A incapacidade em lidar com limites como um todo afeta a vida como um todo, no trabalho, social, familiar. Há uma dificuldade em se adaptar, testar os próprios limites, por isso são comuns relatos de pacientes que se submetendo a cirurgias bariátricas passam a ter alterações na personalidade como maior tendência a agressividade. O que acontece é que o modo de gozar em comer até morrer foi proibido, assim hou...

Precisamos falar sobre: Depressão pós-parto e baby blues

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A Depressão Pós-Parto é um quadro clínico severo e agudo, contudo bastante banalizado socialmente. Afinal, quem nunca ouviu falar de alguém que sofreu com esse mal ou um bebê cuja mãe sofreu? Infelizmente é um quadro comum, porém que requer acompanhamento psicológico e psiquiátrico, afinal devido à gravidade dos sintomas, há que se considerar o uso de medicação, além de ser importante que esta mãe precisa ser amparada e assistida.  Ser mãe e exercer a maternagem está longe de ser um mar de rosas e após o parto, a mulher se depara com um novo ser que chega ao mundo precisando de seus cuidados, até então ele habitava o corpo dela e ali estava seguro. É uma experiencia intensa dar a luz, afinal quem antes ocupava apenas o papel de filha agora é também mãe, remetendo a vivencias sobre a própria história de vida. intensidade da experiência vivida pela mulher. Esta experiência pode incidir sobre psiquismos mais ou menos estruturados. Mesmo mulheres com boa organização psí...